martes, 5 de junio de 2012

Diálogo de surdos interrompido

Un poema de Nuno Félix da Costa que en un preciso momento me hizo comprender: 


Por vezes a voz do leitor chega-nos -
O mar ferve-me no corpo
Sou as gaivotas de uma ilha seca
Os pontos de fuga são demasiados - Deslaço
Pertenço a todas as festas a todas as filosofias a todos os clubes
Todos os palhaços me fazem rir
Em todos os écrans me disperso idêntico a cada outro
que me atravessa sem se fazer compreender


O mar ferve-te no copo como se voasses em todas as gaivotas
de uma falésia intransponível
Os pontos de fuga multiplicam-te - desmancham-te
mas isso é próprio das condições periclitantes
Na rota para a ilha luxuriante todos os náufragos serão salvos
Lá pertences a todas as festas a todas as filosofias a todos os clubes
Os écrans onde te dispersas homogeneizam-te idêntico a cada qual
Só palhaços atravessam o deserto contigo - Mudos
reinam sobre as miragens que por ti ascendem e te desconstroem
O destino é algures o reservatório onde o tempo não dura
que as raízes não penetram mas a engrenagem fulgurante do eclipse
Ilha de volátil granito rodeado pela mecânica firme do mar -
não tens sede senão de nitidez na tua própria presença

Quero partir e sinto nos pés o peso do granito
Daqui a milhares de anos o granito 
será areia que o vento arrastra para longe
Eu serei vento?




viernes, 1 de junio de 2012

Mitades


Olvidar los cafés a medio beber
el té a medias también
y los zumos
de naranja
en partes
un lado
y otro

luciérnagas y búhos
campeando de día
olvidadizo ser
en su oscuridad

o desaparecer la otra mitad…
vaciar el toque
de queda

viernes, 20 de abril de 2012

A ela

Ao falar do passado dum pássaro
e duma personagem literária 
acho
agora
mais que nunca
na importância da linguagem




“Insignifiquei” o meu passo vital
enquanto vi-te e ouvi-te
pelo teu écran pessoal

não couberam os comparativos
receio com terror
desgraça com infortúnio
sorte com esperança


nem os mais construtivos
re-
sobre-
de-
...reclinar, sobreviver, decair
são só alguns exemplos

aquilo foi uma conversão do feito
por via de regra



viernes, 13 de abril de 2012

Sem título

Nas horas malucas
dum tempo irresistível

O ponteiro à direita
o segundeiro à esquerda

Vi-o como uma apreensão
do agora, depois vi-o
como um tempo sobrando, só foi após a morte
que vi tudo voltar-se outrora uma contradição

Um contrarrelógio 
a favor
das suas agulhas. 


NotaEste poema lo escribí directamente al português con sus posteriores modificaciones, una noche de madrugada en la ciudad de la luz. 

miércoles, 14 de marzo de 2012

Inter


No es extraño
necesitar tiempo ausente
                          - un inter nada más -

si así poder vivir
en la cúspide de tu morada
si así
sólo
así
conseguir tentarme
a estar inter-contigo
Tú, ser invisible

jueves, 2 de febrero de 2012

Releyendo a Anna


En este día tan frío, irremediablemente agazapado, dan ganas de releer a Ajmátova y sentir su tristeza y fuerza ante el terror bolchevique. De "Poemas no incluidos en libros":

Todos se fueron y nadie regresó
Fiel a la última promesa amorosa
sólo tú diste la vuelta
para ver el cielo ensangrentado.
La casa estaba maldita y maldito el oficio.
Era inútil el dulce canto
y no me atreví a levantar la mirada
ante mi terrible destino.
Profanaron la claridad de la palabra,
pisotearon el verbo sagrado
para que yo lavara la sangre del piso
con las enfermeras del treinta y siete.
Me separaron del único hijo,
torturaron a mis amigos en los calabozos,
me rodearon con empalizadas invisibles,
fortalezidas en su armonioso acecho.
Me premiaron con la mudez,
mendigando la condena por el mundo,
me llenaron de calumnias,
calmaron mi sed con veneno
y conducida hasta el límite,
fui abandonada allí por alguna razón.
Por eso a esta loca ciudadana 
le gusta divagar por plazas agonizantes.

(1959)

miércoles, 25 de enero de 2012

En nombre de la voz descarriada


La sangre que no hierva
mi hervor espiral siempre espiral
los remolinos no
no tienen espacios

descubrir la claridad hacerla con tinta roja
mi hervor ai! mi hervor
hasta el hartazgo
líneas límites finales

dejar tres mordiscos en el mar
callejuelas perdidas
la luz mojada
emanada de los labios afilados
puntas surcando el orificio