Que es morada y hogar
que es sensible a lo efímero
ella. siempre. ella.
forzada al agujero
que es destino
golpe seco
del fondo
y silencio
miércoles, 15 de agosto de 2012
martes, 5 de junio de 2012
Diálogo de surdos interrompido
Un poema de Nuno Félix da Costa que en un preciso momento me hizo comprender:
Por vezes a voz do leitor chega-nos -
O mar ferve-me no corpo
Sou as gaivotas de uma ilha seca
Os pontos de fuga são demasiados - Deslaço
Pertenço a todas as festas a todas as filosofias a todos os clubes
Todos os palhaços me fazem rir
Em todos os écrans me disperso idêntico a cada outro
que me atravessa sem se fazer compreender
O mar ferve-te no copo como se voasses em todas as gaivotas
de uma falésia intransponível
Os pontos de fuga multiplicam-te - desmancham-te
mas isso é próprio das condições periclitantes
Na rota para a ilha luxuriante todos os náufragos serão salvos
Lá pertences a todas as festas a todas as filosofias a todos os clubes
Os écrans onde te dispersas homogeneizam-te idêntico a cada qual
Só palhaços atravessam o deserto contigo - Mudos
reinam sobre as miragens que por ti ascendem e te desconstroem
O destino é algures o reservatório onde o tempo não dura
que as raízes não penetram mas a engrenagem fulgurante do eclipse
Ilha de volátil granito rodeado pela mecânica firme do mar -
Por vezes a voz do leitor chega-nos -
O mar ferve-me no corpo
Sou as gaivotas de uma ilha seca
Os pontos de fuga são demasiados - Deslaço
Pertenço a todas as festas a todas as filosofias a todos os clubes
Todos os palhaços me fazem rir
Em todos os écrans me disperso idêntico a cada outro
que me atravessa sem se fazer compreender
O mar ferve-te no copo como se voasses em todas as gaivotas
de uma falésia intransponível
Os pontos de fuga multiplicam-te - desmancham-te
mas isso é próprio das condições periclitantes
Na rota para a ilha luxuriante todos os náufragos serão salvos
Lá pertences a todas as festas a todas as filosofias a todos os clubes
Os écrans onde te dispersas homogeneizam-te idêntico a cada qual
Só palhaços atravessam o deserto contigo - Mudos
reinam sobre as miragens que por ti ascendem e te desconstroem
O destino é algures o reservatório onde o tempo não dura
que as raízes não penetram mas a engrenagem fulgurante do eclipse
Ilha de volátil granito rodeado pela mecânica firme do mar -
não tens sede senão de nitidez na tua própria presença
Quero partir e sinto nos pés o peso do granito
Daqui a milhares de anos o granito
será areia que o vento arrastra para longe
Eu serei vento?
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viernes, 1 de junio de 2012
Mitades
Olvidar los cafés a medio beber
el té a medias también
y los zumos
de naranja
en partes
un lado
y otro
luciérnagas y búhos
campeando de día
olvidadizo ser
en su oscuridad
o desaparecer la otra mitad…
vaciar el toque
de queda
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viernes, 20 de abril de 2012
A ela
Ao falar do passado dum pássaro
e duma personagem literária
acho
agora
mais que nunca
na importância da linguagem
“Insignifiquei” o
meu passo vital
enquanto vi-te e
ouvi-te
pelo teu écran
pessoal
não couberam os comparativos
receio com terror
desgraça com infortúnio
sorte com esperança
nem os mais
construtivos
re-
sobre-
de-
...reclinar,
sobreviver, decair
são só alguns
exemplos
aquilo foi uma conversão do feito
por via de regra
viernes, 13 de abril de 2012
Sem título
Nas horas malucas
dum tempo irresistível
O ponteiro à direita
o segundeiro à esquerda
Vi-o como uma apreensão
do agora, depois vi-o
como um tempo sobrando, só foi após a morte
que vi tudo voltar-se outrora uma contradição
Um contrarrelógio
a favor
das suas agulhas.
Nota: Este poema lo escribí directamente al português con sus posteriores modificaciones, una noche de madrugada en la ciudad de la luz.
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miércoles, 14 de marzo de 2012
Inter
No es extraño
necesitar tiempo ausente
- un inter nada
más -
si así poder vivir
en la cúspide de tu morada
si así
sólo
así
conseguir tentarme
a estar inter-contigo
Tú, ser invisible
jueves, 2 de febrero de 2012
Releyendo a Anna
Todos se fueron y nadie regresó
Fiel a la última promesa amorosa
sólo tú diste la vuelta
para ver el cielo ensangrentado.
La casa estaba maldita y maldito el oficio.
Era inútil el dulce canto
y no me atreví a levantar la mirada
ante mi terrible destino.
Profanaron la claridad de la palabra,
pisotearon el verbo sagrado
para que yo lavara la sangre del piso
con las enfermeras del treinta y siete.
Me separaron del único hijo,
torturaron a mis amigos en los calabozos,
me rodearon con empalizadas invisibles,
fortalezidas en su armonioso acecho.
Me premiaron con la mudez,
mendigando la condena por el mundo,
me llenaron de calumnias,
calmaron mi sed con veneno
y conducida hasta el límite,
fui abandonada allí por alguna razón.
Por eso a esta loca ciudadana
le gusta divagar por plazas agonizantes.
(1959)
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